Brasil 1549-1564

História do Brasil Colonial (1549–1564): a instituição do Governo-Geral por D. João III, a fundação de Salvador e de São Paulo, a chegada dos Jesuítas, a invasão francesa na Baía de Guanabara (França Antártica) e a guerra contra a Confederação dos Tamoios. Confira a cronologia detalhada deste período decisivo da formação territorial brasileira.

Pontos-Chave: Brasil Colonial (1549–1564)

  • Criação do Governo-Geral (1549): D. João III centralizou a administração colonial enviando Tomé de Sousa, que fundou a cidade de São Salvador na Bahia, primeira capital do Brasil.
  • Atuação dos Jesuítas: Chegada dos primeiros padres da Companhia de Jesus, com destaque para Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (1554).
  • França Antártica (1555): Invasão francesa liderada por Nicolas Durand de Villegaignon na Baía de Guanabara, erguendo o Forte Coligny com apoio de calvinistas e do Almirante Coligny.
  • Governo de Mem de Sá (1558–1564): Período marcado pelo combate aos franceses, pacificação da Confederação dos Tamoios (Paz de Iperoig) e preparação para a fundação do Rio de Janeiro por Estácio de Sá.

1549–1553: A Instituição do Governo-Geral e o Governo de Tomé de Sousa

1549: Tendo sido dada aos Donatários ilimitada jurisdição civil e criminal sobre as suas respetivas Capitanias — concedendo-se-lhes até impor a pena de morte, mesmo às pessoas de maior qualidade —, provieram daí inúmeros males. O abuso dos Senhores Donatários ia-se tornando intolerável, a anarquia reinava, os colonos eram oprimidos e os indígenas barbaramente perseguidos. Tornou-se indispensável que o Brasil fosse governado por uma autoridade superior que servisse de centro comum a que todos obedecessem.

Assim, El-Rei D. João III, melhor instruído pela própria experiência, criou o cargo de Governador-Geral do Brasil, confiando-o a Tomé de Sousa. A 28 de março de 1549, este chega à Bahia trazendo em sua companhia os primeiros jesuítas que pisaram no Brasil, liderados pelo Padre Manuel da Nóbrega. Coadjuvado por Caramuru (Diogo Álvares Correia), consegue estabelecer-se na Bahia e funda a cidade de São Salvador, sede do Governo colonial.

1552: Chega à Bahia o primeiro Bispo do Brasil, D. Pedro Fernandes Sardinha, que consegue apaziguar por algum tempo as desavenças entre o Clero e os Jesuítas.

1553: Tomé de Sousa retira-se e é substituído no Governo-Geral por Duarte da Costa. Com o novo Governador vieram novos jesuítas, entre os quais o famoso José de Anchieta, denominado o "Apóstolo do Novo Mundo". Juntamente com o Padre Manuel da Nóbrega, o Brasil é devedor a estes dois religiosos de muitos e relevantes serviços.

1554–1557: A Fundação de São Paulo e a Invasão Francesa (França Antártica)

1554: Reconhecendo o Governador-Geral vistas ambiciosas nos jesuítas, nega-lhes o seu apoio. Estes retiram-se para o Sul e fundam, junto às planícies de Piratininga, uma povoação e o Colégio de São Paulo, de onde veio o nome à cidade e à futura província.

1555: O desejo de conquista e a ambição de riquezas levam estrangeiros a tentarem expedições à América. Nicolas Durand de Villegaignon, sob o pretexto de propagar o Calvinismo e protegido pelo Almirante Gaspar de Coligny, chega com uma expedição francesa à Baía de Niterói (Guanabara) e constrói no centro dela, sobre uma pequena ilha, um forte que denominou Forte Coligny (França Antártica).

1557: Morre El-Rei D. João III a 11 de junho. Fica na menoridade D. Sebastião, seu neto e sucessor no trono português, assumindo a regência do Reino a Rainha Catarina de Áustria.

1558–1564: O Governo de Mem de Sá, a Confederação dos Tamoios e a Expulsão dos Franceses

1558: Chega ao Brasil o terceiro Governador-Geral, Mem de Sá, iniciando um período de reorganização administrativa e militar.

1560: Mem de Sá expulsa os franceses do Forte Coligny. Estes fogem para o continente, onde se tornam mais fortes com o auxílio dos índios Tamoios. O Governador visita a Capitania de São Vicente e deixa a sua prosperidade confiada aos Padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, ordenando ao mesmo tempo que se transferisse para São Paulo o estabelecimento de Santo André da Borda do Campo. Mem de Sá vê-se obrigado a voltar a São Salvador para reprimir os ataques dos índios Aymorés, que incomodavam e assolavam as Capitanias dos Ilhéus e Porto Seguro, derrotando-os com êxito.

1562: Em Portugal, a Rainha Catarina entrega a Regência do Reino ao Cardeal D. Henrique.

1564: Os Tamoios, senhores de todo o território entre o Rio de Janeiro e São Vicente, formam com outras tribos uma temível aliança (Confederação dos Tamoios) contra os portugueses e dirigem-se ousadamente a atacar a nova povoação de São Paulo. Porém, os jesuítas, ajudados pelo célebre chefe indígena Tibiriçá (batizado como Martim Afonso), salvam a povoação e repelem os atacantes.

Também a Capitania do Espírito Santo era fortemente fustigada pelos indígenas, tendo aí perecido Fernão de Sá, filho do Governador-Geral, enviado por seu pai para combater as revoltas.

Continuando cada vez mais terrível a guerra movida pelos indígenas, os Padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, após passarem por perigos extremos no episódio do Armistício de Iperoig, obtêm a paz com os Tamoios (foi nesta ocasião que José de Anchieta compôs em latim e reteve de memória nas praias de Ubatuba o célebre Poema à Virgem). Chega à Bahia Estácio de Sá, sobrinho do Governador-Geral, enviado pela Corte portuguesa para liderar a expedição de expulsão definitiva dos franceses da Guanabara.

Perguntas e Respostas (FAQ) sobre o Brasil (1549–1564)

Por que foi criado o Governo-Geral no Brasil em 1549?
O Governo-Geral foi criado por D. João III para centralizar a administração colonial, conter a anarquia e os abusos dos donatários das Capitanias Hereditárias e organizar a defesa do território contra invasões estrangeiras e revoltas indígenas.

Quem foi o primeiro Governador-Geral do Brasil e qual cidade ele fundou?
O primeiro Governador-Geral foi Tomé de Sousa, que chegou em 1549 acompanhado de colonos e dos primeiros jesuítas, fundando a cidade de São Salvador da Bahia, primeira capital do Brasil.

O que foi a França Antártica?
Foi uma colónia fundada em 1555 na Baía de Guanabara pelo nobre e marinheiro francês Nicolas Durand de Villegaignon, apoiado por calvinistas protestantes, onde ergueram o Forte Coligny antes de serem expulsos pelas forças portuguesas.

Qual foi o papel de José de Anchieta e Manuel da Nóbrega no Brasil colonial?
Foram padres jesuítas fundamentais na evangelização e pacificação dos indígenas, fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (1554) e diplomatas na negociação da Paz de Iperoig com a Confederação dos Tamoios.

Conclusão

O período entre 1549 e 1564 representou a consolidação da presença da Coroa Portuguesa no Brasil. A transição das Capitanias Hereditárias para o Governo-Geral, aliada à ação pedagógica e diplomática da Companhia de Jesus, permitiu superar as ameaças estrangeiras e erguer os alicerces urbanos e administrativos do país.


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